Jabes Ribeiro diz que PP só tem o plano ‘L’, de Leão, candidato ao governo em 2022

Jabes Ribeiro - Secretário Geral do PP na Bahia
Jabes Ribeiro - Secretário Geral do PP na Bahia

O secretário-geral do PP na Bahia, Jabes Ribeiro, é muito claro sobre a disposição do partido para as eleições de 2022: ter João Leão como candidato a governador. As discussões para viabilizar a candidatura do atual vice-governador como nome para a sucessão de Rui Costa ocorreriam dentro da base formada com o PT, PSD, PSB e outros partidos que compõem o arco de alianças que atualmente governa a Bahia. Ou seja, Jabes fala em unidade do grupo em torno do nome de Leão.

Nesta entrevista realizada na última quarta-feira (22), antes ainda da definição pelo Senado de não haver retorno das coligações partidárias, Jabes, já apontando que os senadores não aprovariam o retorno do modelo de 2018, ressalta que a prioridade do partido é aumentar em pelo menos uma cadeira as bancadas na Assembleia Legislativa (hoje como nove deputados) e na Câmara Federal (atualmente com quatro).

O dirigente também diz que haverá a nacionalização do debate na disputa pelo governo do Estado, seguindo a polarização entre o ex-presidente Lula e o atual presidente Jair Bolsonaro. Jabes dá uma cutucada no presidente nacional do DEM e pré-candidato ao governo, ACM Neto, insinuando que o democrata não poderia ser candidato na base do “apoio a todos”, ao mesmo tempo que rejeita a tese da nacionalização. Mas, quanto ao PP, ele diz que o apoio simultâneo a Rui e a Bolsonaro não surpreende mais ninguém.

Falando em apoio ao governador, ele ressalta que a saída do deputado Robinho da base do petista na Assembleia foi uma posição que partiu do parlamentar e não do partido.

Confira a íntegra da entrevista:

Política Livre – A candidatura do vice-governador João Leão é pra valer e, se for pra valer, já está sendo trabalhada com as lideranças do PP no Estado?

Jabes Ribeiro – A executiva do PP tem uma posição muito nítida: a preservação da base aliada. Na verdade, nós trabalhamos por algo que participamos, nós somos responsáveis por muitas das vitórias e também pela administração. Não somos apenas um partido que apoia, mas o partido que está dentro de uma aliança, que é responsável por ela e, portanto, tem todo interesse em preservá-la.

A candidatura de Leão faz parte naturalmente de um projeto em que ao longo dos últimos 16 anos, 15 anos, eu nos últimos dezesseis anos, quinze anos dezesseis o PT indicou o governo de Wagner e depois os governos de Rui. Agora passado esse período, é natural em uma aliança democrática que os partidos se debrucem sobre essa realidade para ver os próximos passos. O que aconteceu? O PT, no início do ano, apresentou o nome do senador Wagner como candidato a governador. Absolutamente natural.

Nós ouvimos várias declarações de membros do PSD, a exemplo do senador Coronel, dizendo que o nome desse momento como o nome do Otto, que estava sendo colocado na mesa. O PP fez o mesmo e entende que o nome de João Leão reúne qualidades espaciais para ser o dono nosso da aliança, para encabeçar a chapa.

Ele tem uma história, um currículo rico em trabalho de qualidade, de amor à Bahia: foi prefeito de Lauro de Freitas, cinco vezes deputado federal, foi secretário de Estado, foi secretário da Prefeitura de Salvador, é vice-governador, é secretário. Onde ele esteve, efetivamente, fez a diferença. O nome dele está colocado nesse contexto.

Em entrevista, o deputado Cacá Leão declarou que o partido poderia inclusive lançar uma candidatura independente, claro que a candidatura do João Leão. Isso também indica que o partido quer mesmo essa candidatura?

Cacá Leão é uma figura importantíssima no partido: deputado estadual, deputado federal, hoje líder nacional da bancada do partido. Ele faz uma colocação, e eu a entendi assim, de que tudo é possível, mas repito que nosso objetivo é garantir, preservar a nossa unidade, que tem tido resultados excelentes para o povo baiano e, efetivamente, dentro desse debate que está sendo colocado, que vai ser aprofundado nos próximos meses, iremos apresentar o nome de João Leão como alternativa.

É isso. Não significa nenhum estresse, nenhuma atitude fora daquilo que foi acertado: vamos trabalhar pela unidade e para que Leão seja o nome dentro do grupo. Mas isso vai depender de que? Vai depender de conversas políticas, de pesquisas eleitorais, de análise estratégico, depende de muitos fatores. Não existe o candidato do eu sozinho, candidato de qualquer jeito. O próprio Leão tem dito que vai puxar a candidatura dele dentro da base.

Falando dessa questão de nome, de “melhor time”, sites da região sul apontaram o senhor como também um provável nome pra ser vice uma composição com Jaques Wagner. Isso procede? Se proceder, o senhor tem disposição para ser esse nome do PP? Foram também colocados os nomes dos deputados Niltinho e Ronaldo Carletto.

Nós temos nomes da maior qualidade. No entanto, o partido não tem nesse momento “plano J”, “plano E”, “plano R”. Tem “plano L”, e o “plano L” significa que o nosso nome, que o nome do partido – é unânime – para a formatação da chapa majoritária, se possível com candidato a governador, é João Leão.

O deputado Robinho anunciou que deixou a base de Rui e ontem mesmo fez um discurso duro lá na Assembleia contra o governador. Ele vem batendo na questão da violência, no problema dos respiradores [adquiridos pelo Consórcio Nordeste e nunca entregues]. Essa decisão do deputado, como é que ela está sendo tratada dentro do partido? Ele continua com espaço no partido?

O deputado Robinho é um bom companheiro, um amigo, mas quem tomou uma decisão foi ele, não foi o partido. Com todo respeito, foi uma questão dele, pessoal. A posição do partido é manter-se na base aliada para participar do próximo pleito: isso tem sido dito permanentemente por João Leão, por tantos outros. Então essa não é uma posição que comprometa o partido: é dele, é pessoal. Mas eu creio, sinceramente, que vai chegar um momento em que as coisas serão resolvidas tranquilamente. Agora, quem naturalmente mudou não fomos nós. Como eu te disse, ajudamos a ganhar e ajudamos a governar a Bahia.

Nas eleições aqui da Bahia em 2022, qual é a aposta do senhor? Haverá uma nacionalização desse debate? Jaques Wagner e o PT apostam que deve haver uma nacionalização. Já o ACM Neto diz que não, que não vai haver. Cada um está falando aquilo que lhe é mais interessante dentro do cenário desejado?

Isolar, separar as eleições estaduais das eleições nacionais parece-me um equívoco ou então um claro interesse em função das circunstâncias. Nas últimas eleições, nós sentimos na Bahia, com clareza, a importância do ex-presidente Lula. Eu acho que não dá para separar, nitidamente há uma conexão.

Evidente que o quadro em questão põe duas figuras nacionais, que são o ex-presidente Lula e o atual presidente Bolsonaro, que protagonizam o debate. Tem gente que quer se aproximar de um ou de outro e tem gente que não quer. No caso específico do candidato Jaques Wagner, é óbvio que há uma relação direta [entre os pleitos nacional e estadual].

No caso do candidato ACM Neto, o melhor é não ter essa conexão porque ele hoje tem muitas dúvidas, ao meu ver, sobre qual o caminho a seguir. Achar que você pode ganhar uma eleição na base do “eu apoio todos” ou de “quando eu chegar na cadeira”, é muito interessante no discurso, mas vai depender muito de relação.

Se Bolsonaro resolver que vai ter um palanque aqui, Neto vai resolver se vai apoiá-lo ou então ele vai ter outro palanque; se fala muito no ministro João Roma. Então essas coisas dependem muito da sua realidade. Se ela indica que é melhor eu não ter conexão, eu faço discurso achando que não há conexão. Eu acho que essa conexão entre os candidatos a Presidente da República e candidatos a governador vai ser muito grande.

Nesse questionamento sobre debate nacional, o fato de o PP estar tanto da base de Rui quanto na base de Bolsonaro não pode dar um nó na cabeça do eleitor do PP ou o partido já está, como se diz popularmente, “tirando isso de letra”?

Isso não surpreende mais a ninguém, né? Porque historicamente o partido a nível nacional toma uma posição baseado nos interesses do partido em plano nacional, mas isso sem contagiar essa decisão para as esferas estaduais. Isso é muito importante do ponto de vista da nossa realidade. Então já houve uma situação em que o PP teve uma candidata a vice-presidente, a Ana Amélia, e na Bahia apoiamos o Fernando Haddad. Então o PP funciona, como partido de centro, com uma visão de que, se tem dado certo essa democratização das decisões, então não vejo razão para mudar.

A CCJ no Senado derrubou a possibilidade de coligações. Como o senhor avalia se isso for mantido no plenário? Isso altera os planos dos partidos e do PP aqui na Bahia?

Já nas últimas eleições, não tivemos coligações nas eleições municipais, portanto cada partido construiu a sua chapa proporcional. Nós já estamos trabalhando com esse cenário já desde o ano passado, que é o cenário de não ter coligações. Pelo que a gente está vendo na discussão lá em Brasília, o Senado tem uma posição contrária às coligações e ao meu ver é o que deve ser confirmado na reunião do Senado.

Em relação a esse ponto, o PP trabalha para ter uma chapa completa: trinta e nove candidatos a federal e 63 candidatos a estadual. que é o Lula do Marco pra candidatos a estadual. Nosso compromisso número um é preservar os mandatos federais e estaduais: hoje são quatro federais e nove estaduais. Na Câmara podemos fazer cinco. Na Assembleia, de nove, podemos chegar a dez.

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