Equipamento inovador, aliado a treinamento dos agentes de combate às endemias pela ONG Embaixada Verde, permite identificar precocemente mosquitos e vírus transmissores de arboviroses
A cidade de Ilhéus deu mais um passo importante no enfrentamento ao mosquito Aedes aegypti com a instalação de uma nova armadilha tecnológica na UPA 24 horas, como parte do Projeto Unidos Contra a Dengue. A ação foi acompanhada de treinamento para os agentes de combate às endemias, promovido pela ONG Embaixada Verde, em parceria com o Ministério da Saúde e a Prefeitura de Ilhéus.

O novo equipamento utiliza um sensor de alta tecnologia, desenvolvido a partir de um projeto europeu, capaz de identificar características detalhadas do mosquito adulto, como espécie, idade, sexo, quantidade capturada e até se houve alimentação com sangue. Segundo o biólogo e consultor de arboviroses, Fábio Castelo Branco, o sensor funciona por meio de leitura infravermelha, permitindo inclusive a detecção precoce de vírus dentro do mosquito antes que ele seja transmitido à população.

“Estamos numa área endêmica, com vírus já circulantes. Essa tecnologia possibilita identificar precocemente a entrada de um novo vírus, o que é um grande avanço para a saúde pública. A armadilha instalada em uma unidade de grande circulação, como a UPA, aumenta a chance de capturar mosquitos infectados e antecipar ações de bloqueio”, explicou Castelo Branco.

O sensor integra um conjunto de tecnologias implantadas no município desde o início do projeto. A primeira delas são as ovitrampas, já utilizadas no programa nacional. Em seguida, foi implantada a Pneutrap, uma armadilha que captura ovos, larvas e atua de forma letal, sem risco de se tornar foco do mosquito. Outra inovação é a estação disseminadora de larvicida, que contamina o mosquito com produtos que ele próprio leva para outros criadouros, inclusive em locais de difícil acesso, como calhas e depósitos subterrâneos.

Além das armadilhas, o projeto se destaca pela implantação de um sistema de informação integrado, que permite aos agentes escanear QR Codes das armadilhas e enviar dados georreferenciados em tempo real. Essas informações alimentam uma central de monitoramento na Secretaria Municipal de Saúde, possibilitando a visualização de mapas epidemiológicos e entomológicos e subsidiando decisões estratégicas da gestão.
De acordo com o coordenador do Projeto Unidos Contra a Dengue, Alex Correia, esta é uma fase conclusiva e decisiva do projeto em Ilhéus. “Individualmente, essas tecnologias já são casos de sucesso no Brasil e fora dele. O diferencial aqui é a integração das três ferramentas, algo que ainda não foi testado em nenhum outro lugar do mundo. Ilhéus tem a oportunidade de se tornar referência”, destacou.
Equipamento inovador, aliado a treinamento dos agentes de combate às endemias pela ONG Embaixada Verde, permite identificar precocemente mosquitos e vírus transmissores de arboviroses
O coordenador de campo de combate às endemias, Roberto Almeida, ressaltou os resultados já observados. “Os índices de infestação vêm caindo gradativamente. Ainda não chegamos ao ideal, mas o projeto veio para somar e fortalecer o trabalho dos agentes. Essas armadilhas fazem um papel fundamental no controle do mosquito”, afirmou.
A secretária municipal de Saúde, Sonilda Mello, enfatizou a importância do projeto para o município, destacando que não gera custos financeiros para a Prefeitura. “É um projeto extremamente importante, que já vem apresentando resultados e nos ajuda a identificar os principais pontos onde precisamos intensificar as ações. A tecnologia está a nosso favor no cuidado com a saúde da população”, pontuou.
Sonilda também reforçou que o combate à dengue é uma responsabilidade coletiva. “O mosquito não tem classe social. Por isso, além do trabalho do poder público, é fundamental o apoio da população. Juntos, conseguimos proteger vidas e reduzir a infestação”, concluiu.
O Projeto Unidos Contra a Dengue também está sendo implantado em outros municípios baianos, como Vitória da Conquista, Feira de Santana e Candeias, consolidando-se como uma importante estratégia de inovação no combate às arboviroses.
Por ASCOM SESAU







